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A temática feminina e social na literatura sob o viés de Balzac

A temática feminina e social na literatura sob o viés de Balzac

3 dez, 2013

Honoré de Balzac fez parte do seleto time de escritores franceses que na prosa oitocentista do século XIX revolucionou e questionou os padrões até então vigentes do romantismo. Se nesta escola literária a idealização e a honra de heróis eram reforçadas por escritores como Alexandre Dumas e Victor Hugo, por meio do realismo um novo padrão passa a gerir os temas literários.

O dinheiro, a busca pela fama, e a razão como fonte de solução das problemáticas estão entre as novas diretrizes da prosa realista francesa. Prosa esta que retrata a burguesia em ascensão e também a frustração pelas dissonantes e fracassadas promessas então proferidas pelo iluminismo.

Balzac e as mulheres

A frustração com o casamento, os questionamentos sentimentais relevantes a todos os humanos, a relação entre mães e filhas, temas estes relevantes no contexto atual, Balzac já explorava de forma brilhante em sua narrativa, seja em “A mulher de 30 anos” ou em “Eugênia Grandet”. O termo “balzaquiana” aliás, virou sinônimo para mulher madura e “preparada para o amor”. Consulte o termo em algum dicionário que tenha por perto!

Aos que procuram encontrar nos textos de Balzac intertextualidades e conexões, a filosofia de Shopenhauer pode ser uma das diretrizes, quando o filósofo afirma que o sofrimento humano é a verdadeira forma de se estar vivo.

Identificando a sociedade francesa na obra de Balzac

Se você procura compreender um pouco mais sobre a sociedade da época, sobre a história e sobre a ascensão burguesa do período realista, o romance Eugenia Grandet é um prato cheio.  O espaço e tempo da narrativa localizam a data de 1833 e tendo como cenário a cidade de Saumur. Um dos personagens, Pai Grandet, é um exemplar certeiro do que se propunham os chamados princípios burgueses daqueles tempos. Simplesmente junta suas “moedas” com o dote da mulher, afim de conquistar fama e consideração alheia pelo poder do dinheiro.

Correntes filosóficas e sociais como materialismo, capitalismo, Revolução Francesa, e questões como a superação do antigo sistema de finanças que centrava-se na aristocracia pelo novo modelo de capital se insurgia na nova França, estão entre algumas das possibilidades de se buscar os dialogismos e reflexos do tempo histórico revelado pela obra de Balzac.

Feminismo?

Não podemos deixar de citar que alguns setores da ala feminina, apontam Balzac como um dos precursores do feminismo. Não o feminismo como o conhecemos, de luta por igualdade e fim do patriarcado, mas um feminismo (na falta de outro termo para melhor definir) na medida em que o autor vê a mulher de uma maneira oposta ao objeto, modo pelo qual ela era (e ainda é) vista. Balzac lançava um olhar mais humano, menos estético, sobre a mulher. Como no trecho de “A mulher de 30 anos” em que diz:

Balzac e mulher de 30 anos

E você, já leu alguma obra de Balzac? Qual a sua preferida? Interaja conosco aqui no seu saudetotalonline.

Veja também: Saramago Manuel Antônio de Almeida Shakespeare Dostoiévski

18 Comentários

  1. Ainda não li nenhuma obra desse autor, mas já planejava ler, no ano que vem, quando completo 30 anos. Depois de ler essa matéria, fiquei com ainda mais vontade!

    Acho bem interessante poder compreender a representação da mulher nas diferentes épocas históricas. Como militante feminista, percebo que a humanidade vem avançando muuuuito lentamente (quase andando pra trás, quando pensamos em “certas figuras” que estão no nosso cenário político atualmente), e por isso a relevância de continuarmos lutando. Artistas como Balzac estão à frente do seu tempo e são forças motrizes que impulsionam a humanidade a avançar!

    Parabéns pelo texto excelente!

  2. Lembrei agora que tem uma banda de horror punk japonesa chamada Balzac! Pra quem quiser conferir: http://www.youtube.com/watch?v=T2hagw7CGic
    http://www.youtube.com/watch?v=i-a55LERTaE
    Tocando Misfits: http://www.youtube.com/watch?v=Aq_2cH2YlEY

    • Luis Perossi /

      Olha que legal, eu já havia pensado em pautar depois um artigo sobre bandas e grupos com nomes que se referem aos escritores ou obras, boa lembrança!

  3. De tanto ouvir falar,Sempre quis ler “A mulher de 30 anos”. Já passei dos 30 (rsrsr) e ainda não li, mas acho que agora, depois de ler este artigo, vou ler. Fiquei estimulada pela citação no final do texto. Ótimo!

    • Luis Perossi /

      Muito obrigado pelo seu comentáiro. Fico feliz que o texto tenha aguçado ainda mais sua curiosidade acerca da obra citada!

  4. Nossa que ótimo texto, vou procurar algo do autor para ler
    parabéns

  5. Amanda Sant'anna /

    Ainda não tenho 30 (e estou bem longe de completar rsrs), mas por estar a frente do seu tempo, ter uma visão diferenciada das mulheres, vendo que a sociedade é machista, lerei esse livro :D pois parece muito bom!

  6. Ótimo autor. Conhecia muito bem a sociedade francesa e conseguia expressá-la por meio da literatura. Boa dica.

    • Luis Perossi /

      Ficamos felizes com seu comentário, Thiago. É bom sempre frisarmos isso que você apontou, o contexto histórico e o reflexo da sociedade na literatura de Balzac. Grande abraço.

  7. Douglas Chieri /

    Excelente artigo!!!! Parabéns!!!!

  8. Não conheço o autor, mas fiquei curiosa =)

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